Fernando Pessoa
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.Ricardo Reis, 1933 · gravado no túmulo
Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, no Largo de São Carlos, em frente ao teatro de ópera. Tinha cinco anos quando o pai morreu de tuberculose. A mãe voltou a casar com o cônsul português em Durban, e foi na África do Sul que cresceu, entre os sete e os dezassete anos, a ler e a escrever em inglês.
Em 1905 regressou sozinho a Lisboa e nunca mais saiu da cidade. Ganhava a vida como correspondente comercial, a traduzir cartas para casas de exportação da Baixa. Mudou de quarto alugado dezenas de vezes, mas o roteiro era sempre o mesmo: o escritório, os cafés da Baixa e do Chiado, a casa da Rua Coelho da Rocha onde viveu os últimos quinze anos.
Em 1915 fundou com Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros a revista Orpheu, que trouxe o modernismo para Portugal. Escreveu sob dezenas de nomes. Os mais conhecidos são Alberto Caeiro, o mestre, Ricardo Reis, o clássico, Álvaro de Campos, o engenheiro, e Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros do Livro do Desassossego.
Em vida publicou um único livro em português, Mensagem, em 1934. Quando morreu, aos 47 anos, deixou numa arca mais de vinte e cinco mil papéis, que ainda hoje estão a ser estudados. A última frase que escreveu, no hospital, foi em inglês: "I know not what tomorrow will bring."
- 1888Nasce em Lisboa
13 de junho, dia de Santo António, no Largo de São Carlos.
- 1893Morre o pai
Joaquim de Seabra Pessoa, crítico musical, vítima de tuberculose.
- 1896Parte para Durban
Com a mãe e o padrasto, cônsul de Portugal na colónia do Natal.
- 1905Regressa a Lisboa
Inscreve-se no Curso Superior de Letras, que abandona dois anos depois.
- 1915Revista Orpheu
Dois números que escandalizam Lisboa e mudam a literatura portuguesa.
- 1920Rua Coelho da Rocha
Muda-se para o prédio de Campo de Ourique que hoje é a Casa Fernando Pessoa.
- 1934Mensagem
O único livro em português publicado em vida.
- 1935Morre em Lisboa
30 de novembro, no Hospital de São Luís dos Franceses. É sepultado no Cemitério dos Prazeres.
- 1985Trasladação
Cinquenta anos depois, os restos mortais passam para o claustro do Mosteiro dos Jerónimos.
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Mosteiro dos Jerónimos
Claustro do mosteiro, junto à entrada da sala do capítulo. O túmulo é uma coluna de pedra com poemas dos três heterónimos gravados.
Morada: Praça do Império, 1400-206 Lisboa
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